AnjosdeÓrion

Generalidades físico-poético-filosóficas

Yom Kipur e Dibuk

Posted by Lilian Neves Mise em @2009

Postado originalmente em 28-9-09 em
http://br.groups.yahoo.com/group/voadores/message/93074

O Yom kippur é considerado dentre as festas o dia mais sagrado pelos
judeus. A festividade é comemorada com jejuns e orações, afinal este
momento é o momento do julgamento (O Yom kippur pode ser traduzido
como dia do perdão ou da expiação ou do julgamento.)

Se existe um D-us lá em cima julgando quem deve ser escrito para o
livro da lida no próximo ano, talvez seja pouco provável, ou difícil
de acreditar, mas a ideai do perdão no judaísmo é interessante.

A tradição diz algo muito difícil de entender, D-us não pode perdoar tudo – ele só pode perdoar os crimes cometidos contra ele. Precisamos receber o perdão daquele que prejudicamos. Desta forma não nos vemos perdoados tão facilmente, talvez existam pessoas que nunca nos perdoarão, ou que não possam nos perdoar – ou que não sabemos, pois já deixaram este mundo…

Não receber o perdão também é uma benção, ela nos ensina sobre nossas
ações. Um D-us bonzinho que concede perdão a tudo, mantém seus fiéis
na infância. Quando não recebemos o perdão nos vemos forçado a buscar
soluções, a lidar com nossa humanidade, nos tornamos adultos
responsáveis por criar a paz (conhecendo nossa liberdade e responsabilidade).

Como diz um filósofo judeu que estou estudando (Levinas), a experiência com nossa ampla liberdade, nos ensina sobre nossa infinita responsabilidade.

Trago um conto que li na biblioteca esta semana (eu deveria estar estudando, rs), só passo o trecho sobre yom kippur (que achei na net).. mas o livro é bem interessante, a começar pelo título. Dibuk significa algo como encosto, é um espírito que por algum motivo não foi descansar e ficou vagando por aqui (alguma semelhança com romances espíritas?), a peça que cito abaixo é deliciosa, drama de
amor com direito a cabalistas…

bons voos
Lilian Neves Mise

Traduzido de http://jhom.com/calendar/tishrei/dybbuk.html

Autor e pesquisador da tradição folclórica Shalom An-Ski (Salomão
Zainwil Rapaport 1863-1920) trouxe para a literatura iídiche (uma das
línguas adotada pela comunidade judaica) uma profunda demonstração dos valores tradicionais judaicos. Ele organizou uma expedição etnográfica pelas vilas da Volnynia e Podolia (Ucrânia) no período de 1911-1914. O material que ele recolheu inspirou sua famosa peça “O Dibuk” (1922). Escrita originalmente tanto em russo quanto em iídiche, posteriormente traduzido para o hebraico por H.N Bialik, “O Dibuk” é uma história de desafortunados amantes, espíritos errantes e feitos milagrosos de rabinos.

O trecho que se segue é retirado desta peça, “O Dibuk”:

Rabino Azrielke diz: O mundo de D-us é maravilhoso e sagrado. A mais
sagrada terra no mundo é a terra de Israel. Em Israel, a mais sagrada
cidade é Jerusalém. Em Jerusalém o mais sagrado lugar é o Templo, e no Templo o mais sagrado ponto era o Santo dos Santos. (Breve pausa).

Há setenta povos no mundo. O mais sagrado entre estes é o povo de
Israel. O mais sagrado dos povos de Israel é a tribo de Levi. Na tribo de Levi os mais sagrados são os Sacerdotes. Entre os Sacerdotes o mais sagrado é o Sumo Sacerdote. (Breve Pausa)

São 354 os dias do ano. Entre estes os das festas são sagrados. Acima
de todos o mais sagrado é o Sabbath. Entre os Sabbaths, o mais sagrado
é o Dia da Expiação, o Sabbath dos Sabbaths. (Breve Pausa).

São 70 as línguas do mundo. A mais sagrada é o hebraico. O mais
sagrado dentre tudo que há nesta língua é a santa Torah, e na Torah a
mais sagrada parte são os Dez mandamentos. Nos Dez mandamentos a mais
sagrada de todas as palavras é o Nome de D-us. (Breve Pausa)

E uma vez no ano, em uma determinada hora, estas quatro supremas
santidades do mundo se encontram reunidas. É o Dia da Expiação (ou Dia
do Perdão), quando o Sumo Sacerdote deve entrar no Santo dos Santos e
lá pronunciar o Nome de D-us. E por nesta hora estar além de qualquer
medida, sagrada ou temível, eis que era o momento de maior perigo não
apenas para o sumo sacerdote, mas para todo o Israel. Se nesta hora
ocorrer, D-us não permita, que adentrasse na mente do Sumo Sacerdote o menor pensamento falso ou pecaminoso , o mundo inteiro poderia ser
destruído. (intervalo).

Todo ponto onde um homem eleva seus olhos para os céus é um Santo dos
Santos. Cada homem, tendo sido criado por D-us a sua imagem e semelhança, é um Sumo Sacerdote. Cada dia da vida de um homem é o Dia
do Perdão, e cada palavra que o homem pronuncia com sinceridade é o
Nome de D-us. Assim cada pecado e cada erro que o homem comete (contra outro homem) traz a destruição do mundo.

Obs: “O Dibuk” encontra-se traduzido pela editora perspectiva.
http://www.editoraperspectiva.com.br/livro.php?cod=190

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