AnjosdeÓrion

Generalidades físico-poético-filosóficas

Aberlado e os Universais

Posted by Lilian Neves Mise em @2009

[obs: texto elaborado para a disciplina de filosofia medieval no 2ºsemestre]

Aberlado em seu estudo lógico irá se debruçar sobre a questão dos universais, contrapondo e refletindo as informações que recebe de Platão e Aristóteles através de Boécio, e também as informações de Porfírio que escreve a Isagoge, além de seus mestre Roscelino (argumento nominalista) e Guilherme (argumento ontológico).

Para Aberlado a filosofia não pode se abster de refletir sobre a natureza dos universais, se existem ou não, pois é ao universal que o filósofo elabora suas proposições quando estuda os homens ou quando classifica as espécies. Por exemplo quando falamos homens podemos dividi-los nos grupos de gregos e romanos. O que significa fazer isso?

Pensar de onde surge este conceito de universal possibilita pensar suas implicações e conseqüências – e as questões éticas que ela traz. E é isto que Aberlado irá fazer em sua “Lógica para principiantes”.

Para iniciar esta investigação Aberlado propõe uma definição inicial do universal como sendo “o que predicam muitos”, gênero é o predicado de todos diferentes e espécie é o predicado de cada individual. Em sua definição ele percebe uma primeira coisa importante, o universal equivale a um predicado, ou seja, é uma palavra. Mas o que é uma palavra?

Então ele consulta o significado dos universais em Platão e Aristóteles. Em Platão ele nota que o universal não se limita ao sensível, enquanto para Aristóteles os universais parece habitar o sensível. Assim ele nota que parece haver uma discordância entre Platão e Aristóteles, além disso Aristóteles parece contradizer a si mesmo – pois sendo o universal uma palavra como ela pode habitar as coisas?

Aberlado prossegue suas investigações procurando desfazer estas contradições. Então ele se coloca outra questão que é “Se o universal pode ser inteligível se não proceder de algo referido/subordinado no mundo?” questão essa que aparece na questão clássica “Se não existisse mais nenhuma rosa, a palavra rosa teria significado?”

Para responder a esta questão primeiramente ele irá se dirigir a Porfírio, modificando as questões inicialmente propostas por este, que o universal é a essência das coisas singulares, pois se assim fosse se cairia em absurdidades tais como duas espécies do mesmo gênero compartilham a mesma essência. Tal absurdidade poderia ser expressa da seguinte forma “Sócrates é um asno”, já que ambos – tanto Sócrates quanto o asno estariam compartilhando a mesma essência que é ser animal. Para Aberlado aqui ocorre uma confusão, ele observa que o universal é anterior aos indivíduos, as espécies (coleções) são formados a partir de indivíduos, pois só desta forma é possível haver distinção entre indivíduo espécie.

Então ele se volta para sua definição de universal como “predicado de muitos” e passa a refletir sobre a linguagem, pois é nela que se encontram os predicados, teremos a partir o que é chamado de “virada lingüística na filosofia medieval”.

Aberlado reflete que é próprio das palavras o significa ou revelar, e das coisas serem significadas. Significar é então referir-se a algo e gerar uma intelecção. Ele também distingue a palavra enquanto apenas uma construção (som), e a palavra significativa. Desta forma a sentença “cadeiras voadoras azul”, seriam apenas sons, palavras desprovidas de sentido, enquanto a expressão “a cadeira é azul” contém palavras significativas apontando para uma realidade.

Mas como surge a significação? Ela é produzida pelo homem, ou apenas compreendida? Então Aberlado descreve a intelecção como um processo constituído das seguintes etapas:

Isolar – é retirar as sensações daquilo que foi capitado pelos sentidos.

Despir – retirar os acidentes e formas daquilo que foi isolado

Purificar – diferenciar o que foi despido

Assim o caminho para chegar ao universal envolve tanto a coisa (a imagem/phantasmata da coisa) , quanto um trabalho de interioridade, é ao mesmo tempo uma produção humana e uma recepção da coisa. Assim Aberlado conclui que existem dois universais, e que estes estão relacionados – o que percebemos e que habita nossa mente, e um que parece vir das coisas. Para explicar este universal que vem das coisas – e que não pode ser, como vimos anteriormente uma essência das coisas – Aberlado introduz uma teologia e diz que o universal que recebemos das coisas está na mente de Deus. Se o homem estivesse purificado veria o universal tal como Deus vê. O pecado é no homem a ausência de inteligência que cinde a visão do verdadeiro universal em dois (a dos homens e a das coisas).

Assim ele não apenas responde plenamente a Porfírio afirmando a existência dos universais e negando sua corporeidade, e ainda introduz uma teologia que propõe como a palavra indica, uma subida a Deus pela lógica.

Ele também resolve a aparente contradição entre Platão e Aristóteles dizendo que o primeiro se referia a mente de Deus e o segundo a mente dos homens.

Referência

[obs: texto elaborado para a disciplina de filosofia medieval no 2ºsemestre]

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