AnjosdeÓrion

Generalidades físico-poético-filosóficas

O nascimento das psicologias

Posted by Lilian Neves Mise em @2009

“O saber  psicológico instala-se onde falha o projeto epistemológico da modernidade: um sujeito que , pela razão se explique e se controle de forma plena.” L. C. Figueiredo

O projeto epistemológico moderno prevê um sujeito pleno, capaz de autonomia, que pode responder por seus atos e ser responsável por seus erros. Isto contrasta com o período anterior (feudalismo) onde a subjetividade do homem era explicada pelo coletivo que suportava e integrava as diferenças.

Esta autonomia conferiu grandes avanços às artes, tecnologia e filosofia, mas por outro lado deixou o sujeito entregue a si mesmo. O projeto epistemológico falha, pois  autonomia conquistada pela razão (e que advém da cisão corpo e mente “cogito ergo sum”) não abarca o subjetivo, ou seja, não abarca o indivíduo como um todo, foi dentro deste contexto que surgiram as psicologias.

As respostas psicológicas foram variadas, influenciadas pelo meio social que se desenvolveram. Aqui iremos diferenciar duas linhas: o behaviorismo (comportamentalismo) e a psicanálise. O behaviorismo surgiu nos Estados Unidos e segue a proposta de que o indivíduo e influenciado pelo local onde vive. No behaviorismo não há uma preocupação com a investigação de um inconsciente, se ele existe está inacessível. O conhecimento behaviorista é desenvolvido de modo positivista, em experimentos laboratoriais de acordo com o conhecimento cientifico. Observa-se que o sujeito ao mudar de ambiente muda seu comportamento, ou que o sujeito é condicionado a determinados comportamentos dependendo de sua experiência anterior de dor ou prazer. Desta forma as técnicas comportamentalistas tiram a autonomia do sujeito e respondem ao sujeito liberal moderno que ele é influenciado pelo meio.

A psicanálise propõe outra resposta, nesta temos um inconsciente que poderá ser acessado por meio de palavras. A psicanálise ao contrário do behaviorismo irá se desenvolver na pesquisa clínica. Freud em sua investigação propõe que todos possuem uma força pulsional, autônoma originária e independente da sexualidade, que seria a força motor do indivíduo e também a fonte de desejos.

Freud investigou o desenvolvimento da subjetividade na infância, pois para ele é neste período que  se determina como cada um lida com esta força pulsional originária (id), por meio de estruturas que são contruidas neste período (ego e super-ego). Em outras palavras é neste período que o indivíduo determina seu modo de se relacionar com o mundo por toda a sua vida.

O super-ego, que é a função restritiva do ego, se desenvolve entre 3-7 anos, Freud dá a esse processo de formação o nome de complexo de Édipo. Este resulta da relação conflitiva entre os desejos da criança para com seus pais, uma sexualidade que procura se afirmar no mundo. O resultado desta expriência irá determinar a saúde subjetiva do indivíduo: uma forte repressão dos desejos neste período pode gerar o neurótico, a falta de controle gera o perverso.

Desta forma ambas abordagens, tanto a psicanalítica quanto a behaviorista retiram a autonomia do sujeito como capaz de tudo conhecer de si e de responder plenamente por si. Ambas concordam que é necessário buscar outras formas de saber que  não se limite somente a um saber puro e racional.

As proposta porém são divergentes, enquanto o behaviorismo busca conhecer o sujeito por suas interações com o meio, a psicanálise se volta para a estória do sujeito, suas energias primitivas e como ele se constrói em sua relação parental.

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