Entrelaçamento, crônicas, dedicatórias… palavras soltas, leves, aladas, loucas, perdidas, afundadas…
Poetizo inspirada na sabedoria de Penélope, esposa do cabeça-dura Odisseu.
Muitos conhecem a história do seu tecer, de seu tear… mas acho que poucos pensaram na sabedoria louca e lógica de seu entrelaçar.
Como sobreviver cercada de homens-loucos, homens-animais? Como resistir por tanto tempo e manter a formosura diante da dúvida, da dor e de um terrível e consumidor Amor? Como discernir quem possui sanidade e conseguir tempo, para ser, para permitir, para viver? Em seu entrelaçar e desmanchar ela experimenta as alternativas possíveis, com suas lágrimas ela abdica de sua identidade todas as manhãs, com sua sabedoria ela busca o justo – como boa filosofa – em todas as madrugadas.
Ela é mulher, mãe e sábia. Abdica de sua identidade todos os dias, não porque se dissolva nesse mundo louco, mas porque ela se reconstrói, a cada instante. Assim, como todo romance, as palavras saem entre poéticas e patéticas… mas não se engane, é a sabedoria do coração, a lógica da inclusão. É a lógica de Penélope e de toda Mulher.
Poetizo por tentar encontrar o mais belo entrelaçamento. Tento do meu jeito e sem tanta habilidade, desmanchando e refazendo. Dando ao tempo, tempo.