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Paraíso perdido, ou esquecimento de si?

Publicado por Lilian NM em @2008

O Bereshit ou Gênesis conta sobre o início do mundo – mesmo que seja em forma de alegoria. Todos conhecemos, ainda que superficiamente a história de Adão, Eva e a Serpente. Mas o que tem de original nesse acontecimento? O que podemos aprender?

Antes gostaria de comentar que, apesar de vermos esse trecho como indicador de um início, na verdade não é um simples começo em um tempo, mas de uma escolha e suas conseqüências. O capitulo se inicia com a letra Beit e não com Alef, podemos ler disso que não se refere a uma origem primeira mas secundária, o próprio expressar “no principio” escapa de expressar o verdadeiro principio, já que qualquer manifestação já é uma derivação.

Dando um salto, vamos visitar o momento em que D-us vem procurar pelo casal no jardim, mas ambos estão escondidos e envergonhados, então Ele questiona “Onde está você?”. Vamos pensar, porque um ser todo poderoso, que provavelmente sabe da localização de tudo no jardim faria tal pergunta? Provavelmente é muito mais do que a localização física, é um chamado para o homem refletir, onde será que ele estava quando fez as suas ações?

Não fazemos a mesma questão a alguem que faz algo impensado, dizemos “Onde você estava com a cabeça?”, invocamos no outro, mais do que o corpo, mas o uso da razão. No jardim D-us está procurando muito mais do que o corpo, mas o ser que ali deveria habitar.

Esse é um primeiro nível de relacionamento, o de nós conosco mesmo, saber refletir e encontrar nossas posturas, o porque tomamos determinadas decisões e a nossa responsabilidade sobre elas. E Adão primeiro se mostra envergonhado, mas ainda assim não assume a responsabilidade por seus atos, ele anuncia que se deixou influenciar pela mulher.

Esse episódio está especialmente relacionado a nosso justeza de relacionamento conosco mesmo, cada dia, cada vez menos, damos importância a perceber a nossa natureza – nossos desejos, nossas forças, nossos valores e nos alimentamos com insumos não pronto para nós.

Nos envergonhamos e constantemente dizemos para nós, preciso me alimentar melhor, ter mais tempo, passear mais, fazer mais exercícios, sorrir mais, estressar menos, etc. Mas não assumimos nossas escolhas e nos enganamos dizendo que não temos escolha, a culpa é o tempo, a sociedade, o capitalismo, o governo… enfim, culpamos ela, a VIDA.

O pecado de Adão é o da falta de amor para consigo mesmo, o erro poderia ter sido reparado se ele tivesse assumido a responsabilidade, mas ele não conseguiu se localizar. A punição que se segue vai levar ele a olhar todos os dias para a terra, na busca de enraiza-lo e fazer ele aprender a nascer em si mesmo, descobrindo suas propriedade e virtudes.

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