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O nascimento das psicologias

Publicado por Lilian Neves Mise em Junho 22, 2009

“O saber  psicológico instala-se onde falha o projeto epistemológico da modernidade: um sujeito que , pela razão se explique e se controle de forma plena.” L. C. Figueiredo

O projeto epistemológico moderno prevê um sujeito pleno, capaz de autonomia, que pode responder por seus atos e ser responsável por seus erros. Isto contrasta com o período anterior (feudalismo) onde a subjetividade do homem era explicada pelo coletivo que suportava e integrava as diferenças.

Esta autonomia conferiu grandes avanços às artes, tecnologia e filosofia, mas por outro lado deixou o sujeito entregue a si mesmo. O projeto epistemológico falha, pois  autonomia conquistada pela razão (e que advém da cisão corpo e mente “cogito ergo sum”) não abarca o subjetivo, ou seja, não abarca o indivíduo como um todo, foi dentro deste contexto que surgiram as psicologias.

As respostas psicológicas foram variadas, influenciadas pelo meio social que se desenvolveram. Aqui iremos diferenciar duas linhas: o behaviorismo (comportamentalismo) e a psicanálise. O behaviorismo surgiu nos Estados Unidos e segue a proposta de que o indivíduo e influenciado pelo local onde vive. No behaviorismo não há uma preocupação com a investigação de um inconsciente, se ele existe está inacessível. O conhecimento behaviorista é desenvolvido de modo positivista, em experimentos laboratoriais de acordo com o conhecimento cientifico. Observa-se que o sujeito ao mudar de ambiente muda seu comportamento, ou que o sujeito é condicionado a determinados comportamentos dependendo de sua experiência anterior de dor ou prazer. Desta forma as técnicas comportamentalistas tiram a autonomia do sujeito e respondem ao sujeito liberal moderno que ele é influenciado pelo meio.

A psicanálise propõe outra resposta, nesta temos um inconsciente que poderá ser acessado por meio de palavras. A psicanálise ao contrário do behaviorismo irá se desenvolver na pesquisa clínica. Freud em sua investigação propõe que todos possuem uma força pulsional, autônoma originária e independente da sexualidade, que seria a força motor do indivíduo e também a fonte de desejos.

Freud investigou o desenvolvimento da subjetividade na infância, pois para ele é neste período que  se determina como cada um lida com esta força pulsional originária (id), por meio de estruturas que são contruidas neste período (ego e super-ego). Em outras palavras é neste período que o indivíduo determina seu modo de se relacionar com o mundo por toda a sua vida.

O super-ego, que é a função restritiva do ego, se desenvolve entre 3-7 anos, Freud dá a esse processo de formação o nome de complexo de Édipo. Este resulta da relação conflitiva entre os desejos da criança para com seus pais, uma sexualidade que procura se afirmar no mundo. O resultado desta expriência irá determinar a saúde subjetiva do indivíduo: uma forte repressão dos desejos neste período pode gerar o neurótico, a falta de controle gera o perverso.

Desta forma ambas abordagens, tanto a psicanalítica quanto a behaviorista retiram a autonomia do sujeito como capaz de tudo conhecer de si e de responder plenamente por si. Ambas concordam que é necessário buscar outras formas de saber que  não se limite somente a um saber puro e racional.

As proposta porém são divergentes, enquanto o behaviorismo busca conhecer o sujeito por suas interações com o meio, a psicanálise se volta para a estória do sujeito, suas energias primitivas e como ele se constrói em sua relação parental.

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Entre Freud e Jung [Resumo]

Publicado por Lilian Neves Mise em Maio 18, 2009

1 – O inconsciente.

Jung nos lembra que o inconsciente só pode ser estudado por inferência (EVANS, 1979, p.327), pois não é possível vê-lo, assim estudaremos como Jung e Freud constroem modelos de possíveis estruturas inconscientes diferenciadas a partir de suas experiências clinicas e pesquisas.

Para Freud o inconsciente recebe toda a carga de repressões, conforme se nota na obra o ego e o id quando diz que “o reprimido é, para nós, o protótipo do inconsciente” (FREUD, 1997,p.13), ou seja, o inconsciente originaria de um ato da própria pessoa. A repressão é um conflito entre um desejo violento e aspirações morais e estéticas da própria personalidade e de certa forma é um meio de proteção da personalidade psíquica. (FREUD, 1978, p.13)

Contrário a isso Jung nota que além da repressão, há também casos em que o inconsciente não sofre repressão do ego (EVANS, 1979, p.327), Jung trabalha com a idéia de que nem toda carga do inconsciente é herdada de uma repressão egóica aceitando que o inconsciente tem em si uma autonomia, porquanto, tem mecanismos próprios que faz com que se “movimente” na psique alheio a nossa vontade.

Jung defende a tese de que o inconsciente se manifesta de diversas maneiras: símbolos, imagens, atitudes – enquanto Freud irá privilegiar a manifestação do inconsciente pela palavra. Freud se mantinha cético quanto a um inconsciente coletivo - conceito que Jung desenvolve, anunciando que todo humano possui formas previamente escritas em sua natureza biológica, e que estas se manifestam tanto individual quanto coletivamente. Desta forma para Jung será possível se conhecendo estas formas prévias (que ele chama de arquétipos) reconhecer questões que a sociedade está enfrentado (como foi o caso de Hitler, que seria o arquétipo do salvador) (EVANS, 1979, p.334)

Além da já citada discordância entre os psicólogos há outra menos tênue, “[...] para Freud, os conteúdos relevantes eram sempre de conteúdos traumáticos, de origem sexual, que tinham sido elaborados pela consciência” (Taboada, 2007,p.168). Jung,  por sua vez, afirmava que nem sempre as cargas afetivas dos complexos tinham origem na sexualidade, podendo sim a sexualidade uma das causas, mas sem nenhum determinismo.

2 – A consciência e o ego, super-ego e id.

Temos que o ego é em Freud, produto de uma frustração (complexo de Édipo) – já que a realidade é imposta ao individuo, e o super-ego é a função restritiva do ego, a que anuncia tudo o “que não pode ser feito”.

Para Freud: “’Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo, que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo.” (FREUD, 1997, p.12-13). Soma-se a isso, que há dois objetos da consciência, sendo eles: externos ou internos, exemplo: ao pressionar o dedo na borda de uma mesa, você pode estar consciente da borda desta mesma mesa, e consciente de sentir a pressão (Audi, 2006, p.180), sendo este sentir-se o ego, porquanto, a pessoa é capaz de perceber o mundo externo e perceber-se ( não necessariamente de forma simultânea), resulta disso que, o sujeito ciente das determinações e normatividades culturais, supervisiona suas próprias ações se censurando, a isso cabe o nome de Superego. Ego este que em Freud chega a um estágio em que ele está plenamente formado, enquanto para Jung “o ego está continuamente se formando; jamais é um produto acabado- ele vive em formação.”, surge na identidade com o corpo por isso continua a se desenvolver. ( EVANS, 1979, p.328)

O Id é em Freud o conjunto de impulsos animais sob qual indivíduo nasce, eles são inconscientes e subdesenvolvidos, aparecem sob a forma de desejos violentos. Jung comenta que não se pode especular sobre a origem desses instintos, e que eles estão aí, o que podemos é estudar os casos onde tais instintos não funcionam. (EVANS, 1979, p.327)

3 – O inconsciente coletivo e o conceito de arquétipo.

Outra distinção entre os dois psicólogos é o conceito de arquétipo, Freud dedica seus estudos esperando encontrar na história de seus pacientes as origens das patologias. Contrário a isso Jung dedica seus estudos à fim de encontrar uma justificação para as mesmas tipologias em diferentes culturas, a respostas disso não poderia ser outra coisa se não o inatismo. Para Jung diferentes personagens atuantes em diferentes culturas indicavam arquétipos como estruturas a priori, atribuindo ao homem certo padrão de comportamento. São estes padrões internos (arquétipos), chamado inconsciente coletivo, certa herança biológico-funcional, explicitado através de contos míticos, contos estes que apenas evidenciam certas tendências a priori, o que fica claro quando diz que “Os arquétipos são, ao mesmo tempo, dinâmicos. Eles são imagens instintivas, não intelectualmente inventadas”.

Jung distingue um inconsciente pessoal que estaria ligado mais com a vida imediata do individuo e conflitos pessoais, deste inconsciente coletivo que está ligado a problemas universais que é acessado quando o conflito traspassa a esfera do pessoal e vai ao social. O conflito pessoal não atinge o inconsciente coletivo, porem no momento em que o individuo passa a lidar com questões coletivas sua subjetividade acessa imagens coletivas, o  individuo pode ter então sonhos coletivos. (EVANS, 1979, p.332)

Os arquétipos aparecem de forma espontânea, pois possuem força própria, embora não se possa contabilizar a variedade de arquétipos é possível identificar quando uma pessoa está possuída por um arquétipo. (EVANS, 1979, p.330)

Alguns arquétipos:

A Persona: Normalmente caracterizada por máscaras sociais, o que se quer mostrar ao outro. É por um lado aquilo que a pessoa gostaria de ser ou simplesmente parecer, mas também se trata de comportamentos ditados pela sociedade e desejos que o social impõe ao indivíduo.

Para Jung o problema aparece quando se está inconsciente que esta máscara não representa a realidade da subjetividade individual. A pessoa confusa por possuir dois (ou mais) modos de agir, ao entrar em contato com essas contradições pode sofrer neurose, dissociação, esquizofrenia.

A Sombra: Seria o seu lado “maligno” aquilo que o indivíduo não quer ter parte, seriam os aspectos rechaçados do si mesmo, as qualidades/defeitos que não queremos reconhecer.

Anima: O referencial do feminino, também associado ao aspecto emotivo, irracional e intuitivo. Pode ser flagrado no homem como a forma ideal de mulher.

Animus: O referencial masculino, também associado ao aspecto racional e lógico. Também flagrado na idealização de homem.

O anima e o animus são para Jung os arquétipos mais bem fundados, pois podemos “por as mãos nas suas bases”. O fato de esta forma arquetípica aparecer em ambos os sexos é justificado por todos possuírem, em diferentes proporções, ambos os gens masculinos e femininos. (EVANS, 1979, p.331)

Grande mãe: Amorosa mais terrível, é associada ao aspecto de fertilidade, cuidado e poder.

Velho sábio: Seria responsável pela idéia de mestre, uma autoridade sábia, uma liderança carismática, muitas vezes representados em sonho por personagens como sendo: filósofo, padre, guru.

Herói: O responsável por imortalizar a juventude pela morte precoce em um sacrifício que salva a comunidade, associado à coragem, irreflexão e determinação.

Self: Enquanto Freud se refere ao ego como apenas uma parte consciente do individuo, Jung amplia a visão do o que é o individuo no arquétipo de Self. Este seria responsável pelo “si mesmo”, arquétipo chave para Jung, pois expressa a totalidade do indivíduo, das ações involuntárias do corpo aos aspectos indescritíveis do homem. (EVANS, 1979, p.333-334).

Este aspecto estaria inteiramente ligado com a felicidade do indivíduo em identificar a si mesmo”, o que pode ser expresso na célebre frase de Nietzsche na personagem Zaratustra (a quem Jung dedicou um seminário por vários anos de duração): “torna-te quem tu és”. Este arquétipo muitas vezes é confundido com o ego freudiano, mas é mais que isso, o ego é aquilo que você sabe ser você mesmo, mas, quanto ao self você só está consciente dele em certa medida (EVANS, 1979, p.333). O Self se serve de uma coisa atrás da consciência, seria a personalidade global do homem, a qual como um todo é indescritível (EVANS, 1979, p.334).

Mandala: Esta é uma forma arquetípica de organização interna que aparece em toda a face da terra. A forma mostra a tentativa que todo homem faz em integrar suas experiências objetivas e subjetivas, esta forma aparece de forma compensadora em épocas de distúrbio apontando para uma possibilidade de ordem e centralidade.

4 Libido x Introversão-Extroversão

Para Freud a libido é a força motriz concentrada na pulsão sexual, e que daria movimento ao indivíduo desde a sua infância, fazendo com que este sempre seja movido por um princípio de prazer. As ações inconscientes são para Freud resultados da repressão desta força primitiva pelo super-ego.

Jung por outro lado dirá que poderemos agir baseados em estímulos do ambiente (extroversão) ou pelas condições herdadas da psique (introversão), com isso ele não descarta a possibilidade de repressão freudiana, Jung admite que ela existe no inconsciente pessoal, porem o homem não se delimita a ela.

A psique junguiana é um mundo de imagens com realidades próprias, são formas de energia que se movimentam em fluxo constante no interior do indivíduo. As ações individuais são influenciadas tanto pelo exterior quanto pela subjetividade herdada, embora cada indivíduo mostre predominância por um ou outro aspecto.

As funções de introversão e extroversão se relacionam com outras quatro funções que são: sensação (se há algo), pensamento ( o que é), sentimento (se é agradável), intuição (percepção não mediada). As quatro funções podem ser experienciadas de modo introvertido ou extrovertido. Todos possiem essas quatro funções, mas cada pessoa tem uma função dominante, e uma função auxiliar parcialmente desenvolvida. As outras duas funções são em geral inconscientes e a eficácia de sua ação é bem menor. Quanto mais desenvolvidas e conscientes forem as funções dominante e auxiliar, mais inconscientes serão seus opostos.

5 – Psicossomática

As pesquisas de Jung abrem campo para os estudos psicossomáticos, ele anuncia que doenças físicas como ulcera ou turbeculose podem ter origem ou serem intensificadas por algum complexo psíquico. No caminho inverso as terapias somáticas/corporais puderam encontrar espaço, pois é possível através de tratar o corpo cuidar dos aspectos subjetivos.

Jung também se pronuncia a respeito das drogas, ele prevê acertadamente o consumismo das drogas não-viciógenas, elas interferem na psique causando dependência. (EVANS, 1979, p.336-337)

Referências:

AUDI. R. et. all. Dicionário de filosofia de Cambridge. São Paulo: Paulus, 2006.

EVANS, R. I. Construtores da Psicologia: Entrevista com C. G. Jung,. São Paulo: Summus, 1979 p. 326-338

FREUD, S. O. Ego e o id. Trad. José Octavio de Aguiar Abreu. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

______. Cinco Lições de Psicanálise, in: Freud: Os Pensadores. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, p 3-36.

TABOADA,R.G. et all. O livro de ouro da psicanálise. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

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Segunda lição de psicanálise [Fichamento]

Publicado por Lilian Neves Mise em Março 22, 2009

(parte1)  Freud (distanciamento de seus mestres e início de seus experimentos clíncos)

Breuer

v Hipótese psicológica

Ø Experiência clínica

Ø Uso de hipnose profunda  (Tratamento cartático)

Ø Traumas psíquicos eram equivalentes a traumas físicos

Charcot e Janet

v Hipótese biológica

Ø Experiências de laboratório

Ø Divisão da mente e dissociação da personalidade (Janet)

Ø Hereditariedade e degeneração do sistema nervoso (franqueza congênita do poder de síntese psíquica) (Janet)

Freud (distanciamento de seus mestres e início de seus experimentos clíncos)

Ø Nota que a hipótese de “fraqueza mental” proposta por Janet não se confirma na prática, pois se por um lado há uma capacidade diminuída, por outro aparecem sintomas compensadores, ou capacidades aumentadas.

Ø Diverge de Janet a respeito da dissociação histérica, pois parte da prática terapêutica enquanto Janet parte das experiências de laboratório.

Ø Abandona por motivos práticos o procedimento cartático de Breuer e procura agir com  os pacientes em estado normal.

Ø É estimulado a isso pelo experimento de Bernheim que demonstra que o esquecimento no estado de sonambulismo  hipnótico era somente aparente, podendo retomar as lembranças em estado normal através da insistência  que era possível lembrar.

Ø O método apesar de inadequado permitiu tirar algumas conclusões:  que as recordações esquecidas não haviam se perdido, estavam prontas a ressurgir em associação com os fatos sabidos, alguma força detinha as lembranças (resistência)

[A força que mantinha o estado mórbido fazia-se sentir como resistência do enfermo]

(parte 2) Freud Concepção dos processos psíquicos de histeria

Ø Tem como alicerce a idéia de resistência

Ø A cura se dá pela supressão das resistências

Ø Propõe que a mesma força que se opõe à lembrança deve ter agido anteriormente expulsando da consciência os acidentes patogênicos correspondentes.

Ø A este processo ele nomeou repressão

Ø Repressão:

· Em todos os casos tratava-se de um conflito entre um desejo violento e aspirações morais e estéticas da própria  personalidade.

· Essas aspirações individuais são as forças repressivas que expulsam da consciência um desejo incompatível que traria imenso desprazer.

· Desta forma a repressão é um meio de proteção da personalidade psíquica.

· Ex. de caso clinico, didático (paragrafo9, 10) <consciente, inconsciente, psique>

Ø Se diferencia de Janet por se opor a uma hipótese biológica (genética , inata) e ao propor a discussão de uma teoria psicológica que estuda os conflitos psíquicos.

Ø Se distância de Breuer, pois a hipnose encobre a resistência.

(parte 3) Freud Condução da psicanálise

Ø Breuer: esclareceu que os sintomas estavam relacionados com experiências patogênicas/traumas psíquicos.

Ø Ex. didático (parágrafo 13)

Ø Formação de sintomas

· Impulso  desejoso continua a existir no inconsciente à espreita de oportunidade para se revelar.

· O sintoma aparece como substituto do desejo reprimido

· Possui traços da idéia primitivamente  reprimida

Ø Tratamento

· Desvendar o trajeto pelo qual  se realizou a sustituição

· Recuperação sintoma é reconduzida até a idéia reprimida.

· Consideráveis  resistências são desfeitas

· Paciente alcança com orientação do médico uma solução melhor para o conflito. (conflitos e neuroses podem combinar entre si)

§ Paciente pode se convencer que repelira sem razão o desejo e aceitá-lo total ou parcialmente

§ O desejo pode ser direcionado para um alvo irrepreensível e elevado (sublimação)

§ Desejo é julgado justo de repulsão e o mecanismo de repressão é substituído pelo controle consciente do desejo.

FREUD. Cinco Lições de Psicanálise, in: Freud: Os Pensadores. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, p 3-36.

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