Poetizo porque..
Publicado por Lilian NM em @2009
Entrelaçamento, crônicas, dedicatórias… palavras soltas, leves, aladas, loucas, perdidas, afundadas…
Poetizo inspirada na sabedoria de Penélope, esposa do cabeça-dura Odisseu.
Muitos conhecem a história do seu tecer, de seu tear… mas acho que poucos pensaram na sabedoria louca e lógica de seu entrelaçar.
Como sobreviver cercada de homens-loucos, homens-animais? Como resistir por tanto tempo e manter a formosura diante da dúvida, da dor e de um terrível e consumidor Amor? Como discernir quem possui sanidade e conseguir tempo, para ser, para permitir, para viver? Em seu entrelaçar e desmanchar ela experimenta as alternativas possíveis, com suas lágrimas ela abdica de sua identidade todas as manhãs, com sua sabedoria ela busca o justo – como boa filosofa – em todas as madrugadas.
Ela é mulher, mãe e sábia. Abdica de sua identidade todos os dias, não porque se dissolva nesse mundo louco, mas porque ela se reconstrói, a cada instante. Assim, como todo romance, as palavras saem entre poéticas e patéticas… mas não se engane, é a sabedoria do coração, a lógica da inclusão. É a lógica de Penélope e de toda Mulher.
Poetizo por tentar encontrar o mais belo entrelaçamento. Tento do meu jeito e sem tanta habilidade, desmanchando e refazendo. Dando ao tempo, tempo.
Sandra disse
EPerdidos no espaço.
Perdidos no tempo
Em meio a estranhos
Que não conhecemos
Quem sabe são loucos
Quem sabe bandidos
Ou meros humanos
Dos quais não os vemos
Nas dores da almas
Nas dores do mundo
Das ilusões que se pregam
Em seus mundos insanos
Olhar para o céu é a melhor razão
A viver com eles no meio do chão
´
Mas é preciso ensinar.
É preciso viver
E quem sabe com eles poder aprender
A amar sem razão
E a nada querer
Para voltar para o céu
Nas asas do sol
E retornar para as estrelas
O verdadeiro viver.
Lilian, li a sua poesia e fiquei inspirada e escrevi algumas coisinhas, mas não sou poetiza.
Sandra Saito