AnjosdeÓrion

Generalidades físico-poético-filosóficas

Publicado por Lilian Neves Mise em janeiro 4, 2010

Sejam bem vindas e bem vindos!

“Quem não segue o mestre coração, somente segue falsos mestres, mas quem ouve o intimo com carinho e atenção, vê em tudo, em todos, o mestre se manifestar, e colhe com gratidão seus ensinamentos”

Lilian Neves Mise

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Ajude São Luis do Paraitinga

Publicado por Lilian Neves Mise em janeiro 4, 2010

Centro histórico de São Luís do Paraitinga. Foto: Sergio Neves/AE

Repasso abaixo mensagem de uma amiga e ex-vizinha que está recolhendo ajuda para o pessoal de São Luís do Paraitinga:

Pessoal,

Estamos profundamente abalados com a situação da nossa querida São Luis do Paraitinga que tanto nos ofereceu em cultura, hospitalidade, diversão e alegrias, nesse momento meu tio Paulo Baroni, um dos músicos da cidade, assim como TODOS os nossos amigos de lá estão desabrigados, o nível do rio subiu mais de 10 metros!!! Tivemos a benção de conseguir resgatar o Baroni mas a Defesa Cívil contabiliza 4.000 pessoas desabrigadas encaminhadas para abrigos públicos e 5.000 desalojados que aguardam a água baixar em casas de amigos ou parentes. Eles estão sem luz, água, telefone e a Defesa Cívil estima que a luz somente poderá ser reestabelecida daqui uns 15 dias. Pedimos a colaboração de todos vcs e de quem voces puderem repassar esse PEDIDO DE SOCORRO para nossos amigos que nesse momento precisam de: Água, leite em pó, alimentos não perecíveis, fraldas descartáveis infantis e geriátricas, absorventes, remédios, velas, fósforos, lanternas, pilhas, combustível em galões de 20 litros, visto que o acesso a cidade está sendo feito por trilhas e botes.

Agradecemos e contamos com a colaboração de todos!

Nosso endereço é: Rua Baroré, 283 casa 1,2 ou 4 – Casa Verde/SP

Fones: 8171-2088 ou 38583575 (Lisandra) 9973-5753 (Kleber) 7026-5196 (Lu)

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Simone Weil

Publicado por Lilian Neves Mise em agosto 15, 2009

“Coisas fazem o papel de homens, homens o papel de coisas. Aí jaz a raiz do mal” Simone Weil

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Pirkei Avot

Publicado por Lilian Neves Mise em agosto 15, 2009

Se eu não responder por mim, quem resonderá por mim?
Mas se eu responder somente por mim, sou eu ainda eu? (Pirkei Avot ou Ética dos pais)

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Aprendendo línguas…

Publicado por Lilian Neves Mise em julho 18, 2009

Para quem quer conhecer outras línguas..

Várias linguas

https://www.livemocha.com/

www.bbc.co.uk/languages/

Francês:

French verb conjulgator

http://french.about.com/library/verb/bl-verbconjugator.htm

http://www.dw-world.de/dw/0,,623,00.html?id=623

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Aberlado e os Universais

Publicado por Lilian Neves Mise em julho 10, 2009

[obs: texto elaborado para a disciplina de filosofia medieval no 2ºsemestre]

Aberlado em seu estudo lógico irá se debruçar sobre a questão dos universais, contrapondo e refletindo as informações que recebe de Platão e Aristóteles através de Boécio, e também as informações de Porfírio que escreve a Isagoge, além de seus mestre Roscelino (argumento nominalista) e Guilherme (argumento ontológico).

Para Aberlado a filosofia não pode se abster de refletir sobre a natureza dos universais, se existem ou não, pois é ao universal que o filósofo elabora suas proposições quando estuda os homens ou quando classifica as espécies. Por exemplo quando falamos homens podemos dividi-los nos grupos de gregos e romanos. O que significa fazer isso?

Pensar de onde surge este conceito de universal possibilita pensar suas implicações e conseqüências – e as questões éticas que ela traz. E é isto que Aberlado irá fazer em sua “Lógica para principiantes”.

Para iniciar esta investigação Aberlado propõe uma definição inicial do universal como sendo “o que predicam muitos”, gênero é o predicado de todos diferentes e espécie é o predicado de cada individual. Em sua definição ele percebe uma primeira coisa importante, o universal equivale a um predicado, ou seja, é uma palavra. Mas o que é uma palavra?

Então ele consulta o significado dos universais em Platão e Aristóteles. Em Platão ele nota que o universal não se limita ao sensível, enquanto para Aristóteles os universais parece habitar o sensível. Assim ele nota que parece haver uma discordância entre Platão e Aristóteles, além disso Aristóteles parece contradizer a si mesmo – pois sendo o universal uma palavra como ela pode habitar as coisas?

Aberlado prossegue suas investigações procurando desfazer estas contradições. Então ele se coloca outra questão que é “Se o universal pode ser inteligível se não proceder de algo referido/subordinado no mundo?” questão essa que aparece na questão clássica “Se não existisse mais nenhuma rosa, a palavra rosa teria significado?”

Para responder a esta questão primeiramente ele irá se dirigir a Porfírio, modificando as questões inicialmente propostas por este, que o universal é a essência das coisas singulares, pois se assim fosse se cairia em absurdidades tais como duas espécies do mesmo gênero compartilham a mesma essência. Tal absurdidade poderia ser expressa da seguinte forma “Sócrates é um asno”, já que ambos – tanto Sócrates quanto o asno estariam compartilhando a mesma essência que é ser animal. Para Aberlado aqui ocorre uma confusão, ele observa que o universal é anterior aos indivíduos, as espécies (coleções) são formados a partir de indivíduos, pois só desta forma é possível haver distinção entre indivíduo espécie.

Então ele se volta para sua definição de universal como “predicado de muitos” e passa a refletir sobre a linguagem, pois é nela que se encontram os predicados, teremos a partir o que é chamado de “virada lingüística na filosofia medieval”.

Aberlado reflete que é próprio das palavras o significa ou revelar, e das coisas serem significadas. Significar é então referir-se a algo e gerar uma intelecção. Ele também distingue a palavra enquanto apenas uma construção (som), e a palavra significativa. Desta forma a sentença “cadeiras voadoras azul”, seriam apenas sons, palavras desprovidas de sentido, enquanto a expressão “a cadeira é azul” contém palavras significativas apontando para uma realidade.

Mas como surge a significação? Ela é produzida pelo homem, ou apenas compreendida? Então Aberlado descreve a intelecção como um processo constituído das seguintes etapas:

Isolar – é retirar as sensações daquilo que foi capitado pelos sentidos.

Despir – retirar os acidentes e formas daquilo que foi isolado

Purificar – diferenciar o que foi despido

Assim o caminho para chegar ao universal envolve tanto a coisa (a imagem/phantasmata da coisa) , quanto um trabalho de interioridade, é ao mesmo tempo uma produção humana e uma recepção da coisa. Assim Aberlado conclui que existem dois universais, e que estes estão relacionados – o que percebemos e que habita nossa mente, e um que parece vir das coisas. Para explicar este universal que vem das coisas – e que não pode ser, como vimos anteriormente uma essência das coisas – Aberlado introduz uma teologia e diz que o universal que recebemos das coisas está na mente de Deus. Se o homem estivesse purificado veria o universal tal como Deus vê. O pecado é no homem a ausência de inteligência que cinde a visão do verdadeiro universal em dois (a dos homens e a das coisas).

Assim ele não apenas responde plenamente a Porfírio afirmando a existência dos universais e negando sua corporeidade, e ainda introduz uma teologia que propõe como a palavra indica, uma subida a Deus pela lógica.

Ele também resolve a aparente contradição entre Platão e Aristóteles dizendo que o primeiro se referia a mente de Deus e o segundo a mente dos homens.

Referência

[obs: texto elaborado para a disciplina de filosofia medieval no 2ºsemestre]

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O nascimento das psicologias

Publicado por Lilian Neves Mise em junho 22, 2009

“O saber  psicológico instala-se onde falha o projeto epistemológico da modernidade: um sujeito que , pela razão se explique e se controle de forma plena.” L. C. Figueiredo

O projeto epistemológico moderno prevê um sujeito pleno, capaz de autonomia, que pode responder por seus atos e ser responsável por seus erros. Isto contrasta com o período anterior (feudalismo) onde a subjetividade do homem era explicada pelo coletivo que suportava e integrava as diferenças.

Esta autonomia conferiu grandes avanços às artes, tecnologia e filosofia, mas por outro lado deixou o sujeito entregue a si mesmo. O projeto epistemológico falha, pois  autonomia conquistada pela razão (e que advém da cisão corpo e mente “cogito ergo sum”) não abarca o subjetivo, ou seja, não abarca o indivíduo como um todo, foi dentro deste contexto que surgiram as psicologias.

As respostas psicológicas foram variadas, influenciadas pelo meio social que se desenvolveram. Aqui iremos diferenciar duas linhas: o behaviorismo (comportamentalismo) e a psicanálise. O behaviorismo surgiu nos Estados Unidos e segue a proposta de que o indivíduo e influenciado pelo local onde vive. No behaviorismo não há uma preocupação com a investigação de um inconsciente, se ele existe está inacessível. O conhecimento behaviorista é desenvolvido de modo positivista, em experimentos laboratoriais de acordo com o conhecimento cientifico. Observa-se que o sujeito ao mudar de ambiente muda seu comportamento, ou que o sujeito é condicionado a determinados comportamentos dependendo de sua experiência anterior de dor ou prazer. Desta forma as técnicas comportamentalistas tiram a autonomia do sujeito e respondem ao sujeito liberal moderno que ele é influenciado pelo meio.

A psicanálise propõe outra resposta, nesta temos um inconsciente que poderá ser acessado por meio de palavras. A psicanálise ao contrário do behaviorismo irá se desenvolver na pesquisa clínica. Freud em sua investigação propõe que todos possuem uma força pulsional, autônoma originária e independente da sexualidade, que seria a força motor do indivíduo e também a fonte de desejos.

Freud investigou o desenvolvimento da subjetividade na infância, pois para ele é neste período que  se determina como cada um lida com esta força pulsional originária (id), por meio de estruturas que são contruidas neste período (ego e super-ego). Em outras palavras é neste período que o indivíduo determina seu modo de se relacionar com o mundo por toda a sua vida.

O super-ego, que é a função restritiva do ego, se desenvolve entre 3-7 anos, Freud dá a esse processo de formação o nome de complexo de Édipo. Este resulta da relação conflitiva entre os desejos da criança para com seus pais, uma sexualidade que procura se afirmar no mundo. O resultado desta expriência irá determinar a saúde subjetiva do indivíduo: uma forte repressão dos desejos neste período pode gerar o neurótico, a falta de controle gera o perverso.

Desta forma ambas abordagens, tanto a psicanalítica quanto a behaviorista retiram a autonomia do sujeito como capaz de tudo conhecer de si e de responder plenamente por si. Ambas concordam que é necessário buscar outras formas de saber que  não se limite somente a um saber puro e racional.

As proposta porém são divergentes, enquanto o behaviorismo busca conhecer o sujeito por suas interações com o meio, a psicanálise se volta para a estória do sujeito, suas energias primitivas e como ele se constrói em sua relação parental.

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Entre Freud e Jung [Resumo]

Publicado por Lilian Neves Mise em maio 18, 2009

1 – O inconsciente.

Jung nos lembra que o inconsciente só pode ser estudado por inferência (EVANS, 1979, p.327), pois não é possível vê-lo, assim estudaremos como Jung e Freud constroem modelos de possíveis estruturas inconscientes diferenciadas a partir de suas experiências clinicas e pesquisas.

Para Freud o inconsciente recebe toda a carga de repressões, conforme se nota na obra o ego e o id quando diz que “o reprimido é, para nós, o protótipo do inconsciente” (FREUD, 1997,p.13), ou seja, o inconsciente originaria de um ato da própria pessoa. A repressão é um conflito entre um desejo violento e aspirações morais e estéticas da própria personalidade e de certa forma é um meio de proteção da personalidade psíquica. (FREUD, 1978, p.13)

Contrário a isso Jung nota que além da repressão, há também casos em que o inconsciente não sofre repressão do ego (EVANS, 1979, p.327), Jung trabalha com a idéia de que nem toda carga do inconsciente é herdada de uma repressão egóica aceitando que o inconsciente tem em si uma autonomia, porquanto, tem mecanismos próprios que faz com que se “movimente” na psique alheio a nossa vontade.

Jung defende a tese de que o inconsciente se manifesta de diversas maneiras: símbolos, imagens, atitudes – enquanto Freud irá privilegiar a manifestação do inconsciente pela palavra. Freud se mantinha cético quanto a um inconsciente coletivo - conceito que Jung desenvolve, anunciando que todo humano possui formas previamente escritas em sua natureza biológica, e que estas se manifestam tanto individual quanto coletivamente. Desta forma para Jung será possível se conhecendo estas formas prévias (que ele chama de arquétipos) reconhecer questões que a sociedade está enfrentado (como foi o caso de Hitler, que seria o arquétipo do salvador) (EVANS, 1979, p.334)

Além da já citada discordância entre os psicólogos há outra menos tênue, “[...] para Freud, os conteúdos relevantes eram sempre de conteúdos traumáticos, de origem sexual, que tinham sido elaborados pela consciência” (Taboada, 2007,p.168). Jung,  por sua vez, afirmava que nem sempre as cargas afetivas dos complexos tinham origem na sexualidade, podendo sim a sexualidade uma das causas, mas sem nenhum determinismo.

2 – A consciência e o ego, super-ego e id.

Temos que o ego é em Freud, produto de uma frustração (complexo de Édipo) – já que a realidade é imposta ao individuo, e o super-ego é a função restritiva do ego, a que anuncia tudo o “que não pode ser feito”.

Para Freud: “’Estar consciente’ é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo, que repousa na percepção do caráter mais imediato e certo.” (FREUD, 1997, p.12-13). Soma-se a isso, que há dois objetos da consciência, sendo eles: externos ou internos, exemplo: ao pressionar o dedo na borda de uma mesa, você pode estar consciente da borda desta mesma mesa, e consciente de sentir a pressão (Audi, 2006, p.180), sendo este sentir-se o ego, porquanto, a pessoa é capaz de perceber o mundo externo e perceber-se ( não necessariamente de forma simultânea), resulta disso que, o sujeito ciente das determinações e normatividades culturais, supervisiona suas próprias ações se censurando, a isso cabe o nome de Superego. Ego este que em Freud chega a um estágio em que ele está plenamente formado, enquanto para Jung “o ego está continuamente se formando; jamais é um produto acabado- ele vive em formação.”, surge na identidade com o corpo por isso continua a se desenvolver. ( EVANS, 1979, p.328)

O Id é em Freud o conjunto de impulsos animais sob qual indivíduo nasce, eles são inconscientes e subdesenvolvidos, aparecem sob a forma de desejos violentos. Jung comenta que não se pode especular sobre a origem desses instintos, e que eles estão aí, o que podemos é estudar os casos onde tais instintos não funcionam. (EVANS, 1979, p.327)

3 – O inconsciente coletivo e o conceito de arquétipo.

Outra distinção entre os dois psicólogos é o conceito de arquétipo, Freud dedica seus estudos esperando encontrar na história de seus pacientes as origens das patologias. Contrário a isso Jung dedica seus estudos à fim de encontrar uma justificação para as mesmas tipologias em diferentes culturas, a respostas disso não poderia ser outra coisa se não o inatismo. Para Jung diferentes personagens atuantes em diferentes culturas indicavam arquétipos como estruturas a priori, atribuindo ao homem certo padrão de comportamento. São estes padrões internos (arquétipos), chamado inconsciente coletivo, certa herança biológico-funcional, explicitado através de contos míticos, contos estes que apenas evidenciam certas tendências a priori, o que fica claro quando diz que “Os arquétipos são, ao mesmo tempo, dinâmicos. Eles são imagens instintivas, não intelectualmente inventadas”.

Jung distingue um inconsciente pessoal que estaria ligado mais com a vida imediata do individuo e conflitos pessoais, deste inconsciente coletivo que está ligado a problemas universais que é acessado quando o conflito traspassa a esfera do pessoal e vai ao social. O conflito pessoal não atinge o inconsciente coletivo, porem no momento em que o individuo passa a lidar com questões coletivas sua subjetividade acessa imagens coletivas, o  individuo pode ter então sonhos coletivos. (EVANS, 1979, p.332)

Os arquétipos aparecem de forma espontânea, pois possuem força própria, embora não se possa contabilizar a variedade de arquétipos é possível identificar quando uma pessoa está possuída por um arquétipo. (EVANS, 1979, p.330)

Alguns arquétipos:

A Persona: Normalmente caracterizada por máscaras sociais, o que se quer mostrar ao outro. É por um lado aquilo que a pessoa gostaria de ser ou simplesmente parecer, mas também se trata de comportamentos ditados pela sociedade e desejos que o social impõe ao indivíduo.

Para Jung o problema aparece quando se está inconsciente que esta máscara não representa a realidade da subjetividade individual. A pessoa confusa por possuir dois (ou mais) modos de agir, ao entrar em contato com essas contradições pode sofrer neurose, dissociação, esquizofrenia.

A Sombra: Seria o seu lado “maligno” aquilo que o indivíduo não quer ter parte, seriam os aspectos rechaçados do si mesmo, as qualidades/defeitos que não queremos reconhecer.

Anima: O referencial do feminino, também associado ao aspecto emotivo, irracional e intuitivo. Pode ser flagrado no homem como a forma ideal de mulher.

Animus: O referencial masculino, também associado ao aspecto racional e lógico. Também flagrado na idealização de homem.

O anima e o animus são para Jung os arquétipos mais bem fundados, pois podemos “por as mãos nas suas bases”. O fato de esta forma arquetípica aparecer em ambos os sexos é justificado por todos possuírem, em diferentes proporções, ambos os gens masculinos e femininos. (EVANS, 1979, p.331)

Grande mãe: Amorosa mais terrível, é associada ao aspecto de fertilidade, cuidado e poder.

Velho sábio: Seria responsável pela idéia de mestre, uma autoridade sábia, uma liderança carismática, muitas vezes representados em sonho por personagens como sendo: filósofo, padre, guru.

Herói: O responsável por imortalizar a juventude pela morte precoce em um sacrifício que salva a comunidade, associado à coragem, irreflexão e determinação.

Self: Enquanto Freud se refere ao ego como apenas uma parte consciente do individuo, Jung amplia a visão do o que é o individuo no arquétipo de Self. Este seria responsável pelo “si mesmo”, arquétipo chave para Jung, pois expressa a totalidade do indivíduo, das ações involuntárias do corpo aos aspectos indescritíveis do homem. (EVANS, 1979, p.333-334).

Este aspecto estaria inteiramente ligado com a felicidade do indivíduo em identificar a si mesmo”, o que pode ser expresso na célebre frase de Nietzsche na personagem Zaratustra (a quem Jung dedicou um seminário por vários anos de duração): “torna-te quem tu és”. Este arquétipo muitas vezes é confundido com o ego freudiano, mas é mais que isso, o ego é aquilo que você sabe ser você mesmo, mas, quanto ao self você só está consciente dele em certa medida (EVANS, 1979, p.333). O Self se serve de uma coisa atrás da consciência, seria a personalidade global do homem, a qual como um todo é indescritível (EVANS, 1979, p.334).

Mandala: Esta é uma forma arquetípica de organização interna que aparece em toda a face da terra. A forma mostra a tentativa que todo homem faz em integrar suas experiências objetivas e subjetivas, esta forma aparece de forma compensadora em épocas de distúrbio apontando para uma possibilidade de ordem e centralidade.

4 Libido x Introversão-Extroversão

Para Freud a libido é a força motriz concentrada na pulsão sexual, e que daria movimento ao indivíduo desde a sua infância, fazendo com que este sempre seja movido por um princípio de prazer. As ações inconscientes são para Freud resultados da repressão desta força primitiva pelo super-ego.

Jung por outro lado dirá que poderemos agir baseados em estímulos do ambiente (extroversão) ou pelas condições herdadas da psique (introversão), com isso ele não descarta a possibilidade de repressão freudiana, Jung admite que ela existe no inconsciente pessoal, porem o homem não se delimita a ela.

A psique junguiana é um mundo de imagens com realidades próprias, são formas de energia que se movimentam em fluxo constante no interior do indivíduo. As ações individuais são influenciadas tanto pelo exterior quanto pela subjetividade herdada, embora cada indivíduo mostre predominância por um ou outro aspecto.

As funções de introversão e extroversão se relacionam com outras quatro funções que são: sensação (se há algo), pensamento ( o que é), sentimento (se é agradável), intuição (percepção não mediada). As quatro funções podem ser experienciadas de modo introvertido ou extrovertido. Todos possiem essas quatro funções, mas cada pessoa tem uma função dominante, e uma função auxiliar parcialmente desenvolvida. As outras duas funções são em geral inconscientes e a eficácia de sua ação é bem menor. Quanto mais desenvolvidas e conscientes forem as funções dominante e auxiliar, mais inconscientes serão seus opostos.

5 – Psicossomática

As pesquisas de Jung abrem campo para os estudos psicossomáticos, ele anuncia que doenças físicas como ulcera ou turbeculose podem ter origem ou serem intensificadas por algum complexo psíquico. No caminho inverso as terapias somáticas/corporais puderam encontrar espaço, pois é possível através de tratar o corpo cuidar dos aspectos subjetivos.

Jung também se pronuncia a respeito das drogas, ele prevê acertadamente o consumismo das drogas não-viciógenas, elas interferem na psique causando dependência. (EVANS, 1979, p.336-337)

Referências:

AUDI. R. et. all. Dicionário de filosofia de Cambridge. São Paulo: Paulus, 2006.

EVANS, R. I. Construtores da Psicologia: Entrevista com C. G. Jung,. São Paulo: Summus, 1979 p. 326-338

FREUD, S. O. Ego e o id. Trad. José Octavio de Aguiar Abreu. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

______. Cinco Lições de Psicanálise, in: Freud: Os Pensadores. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, p 3-36.

TABOADA,R.G. et all. O livro de ouro da psicanálise. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

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Segunda lição de psicanálise [Fichamento]

Publicado por Lilian Neves Mise em março 22, 2009

(parte1)  Freud (distanciamento de seus mestres e início de seus experimentos clíncos)

Breuer

v Hipótese psicológica

Ø Experiência clínica

Ø Uso de hipnose profunda  (Tratamento cartático)

Ø Traumas psíquicos eram equivalentes a traumas físicos

Charcot e Janet

v Hipótese biológica

Ø Experiências de laboratório

Ø Divisão da mente e dissociação da personalidade (Janet)

Ø Hereditariedade e degeneração do sistema nervoso (franqueza congênita do poder de síntese psíquica) (Janet)

Freud (distanciamento de seus mestres e início de seus experimentos clíncos)

Ø Nota que a hipótese de “fraqueza mental” proposta por Janet não se confirma na prática, pois se por um lado há uma capacidade diminuída, por outro aparecem sintomas compensadores, ou capacidades aumentadas.

Ø Diverge de Janet a respeito da dissociação histérica, pois parte da prática terapêutica enquanto Janet parte das experiências de laboratório.

Ø Abandona por motivos práticos o procedimento cartático de Breuer e procura agir com  os pacientes em estado normal.

Ø É estimulado a isso pelo experimento de Bernheim que demonstra que o esquecimento no estado de sonambulismo  hipnótico era somente aparente, podendo retomar as lembranças em estado normal através da insistência  que era possível lembrar.

Ø O método apesar de inadequado permitiu tirar algumas conclusões:  que as recordações esquecidas não haviam se perdido, estavam prontas a ressurgir em associação com os fatos sabidos, alguma força detinha as lembranças (resistência)

[A força que mantinha o estado mórbido fazia-se sentir como resistência do enfermo]

(parte 2) Freud Concepção dos processos psíquicos de histeria

Ø Tem como alicerce a idéia de resistência

Ø A cura se dá pela supressão das resistências

Ø Propõe que a mesma força que se opõe à lembrança deve ter agido anteriormente expulsando da consciência os acidentes patogênicos correspondentes.

Ø A este processo ele nomeou repressão

Ø Repressão:

· Em todos os casos tratava-se de um conflito entre um desejo violento e aspirações morais e estéticas da própria  personalidade.

· Essas aspirações individuais são as forças repressivas que expulsam da consciência um desejo incompatível que traria imenso desprazer.

· Desta forma a repressão é um meio de proteção da personalidade psíquica.

· Ex. de caso clinico, didático (paragrafo9, 10) <consciente, inconsciente, psique>

Ø Se diferencia de Janet por se opor a uma hipótese biológica (genética , inata) e ao propor a discussão de uma teoria psicológica que estuda os conflitos psíquicos.

Ø Se distância de Breuer, pois a hipnose encobre a resistência.

(parte 3) Freud Condução da psicanálise

Ø Breuer: esclareceu que os sintomas estavam relacionados com experiências patogênicas/traumas psíquicos.

Ø Ex. didático (parágrafo 13)

Ø Formação de sintomas

· Impulso  desejoso continua a existir no inconsciente à espreita de oportunidade para se revelar.

· O sintoma aparece como substituto do desejo reprimido

· Possui traços da idéia primitivamente  reprimida

Ø Tratamento

· Desvendar o trajeto pelo qual  se realizou a sustituição

· Recuperação sintoma é reconduzida até a idéia reprimida.

· Consideráveis  resistências são desfeitas

· Paciente alcança com orientação do médico uma solução melhor para o conflito. (conflitos e neuroses podem combinar entre si)

§ Paciente pode se convencer que repelira sem razão o desejo e aceitá-lo total ou parcialmente

§ O desejo pode ser direcionado para um alvo irrepreensível e elevado (sublimação)

§ Desejo é julgado justo de repulsão e o mecanismo de repressão é substituído pelo controle consciente do desejo.

FREUD. Cinco Lições de Psicanálise, in: Freud: Os Pensadores. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, p 3-36.

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Orígenes

Publicado por Lilian Neves Mise em março 19, 2009

GILSON, Étienne. A Filosofia na idade média. Trad. Eduardo Brandão. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 949 p. 49-56 (Col. Paidéia).

- Nascido em 184, no Egito, provavelmente Alexandria, de pai convertido ao cristianismo (seu Pai Leônidas morreu martirizado e ele foi salvo pela mãe1).
- Foi instruído por Clemente de Alexandria e talvez Amônio Sacas (que foi mestre de Plotino).
- Aos 18 anos assumiu a sucessão de Clemente, mas em os massacres praticados pelo Imperador Caracalla obrigaram Orígenes a deixar Alexandria, fugindo para Cesaréia (atual Palestina), onde abriu uma escola e uma biblioteca. 1
- Foi segundo Gilson, um instrutor brilhante e admirado por seus discípulos. Viveu de forma apaixonada suas convicções escolhendo se mutilar para viver como eunuco. (Em sua infância já teria admiração pelo martírio tendo escrito para seu pai quando este estava preso “Toma cuidado para não mudares de propósito”2). Ele mesmo morreu martirizado.
- Resta muito pouco de sua obra, sendo que este pouco precisa ser lido de forma crítica, pois como suas posturas incomodavam a ortodoxia, seus textos muitas vezes foram manipulados para que pudessem ser aceitos.
- Do que foi conservado, são de interesse filosófico principalmente a Refutação de Celso (Contra Celsum) e o tratado Dos Princípios (Péri Arkhôn)
- O tratado Dos Princípios
> se dirige a duas classes de leitores: os que aceitando a fé desejam aprofundar e os que heréticos/filósofos/inimigos da fé.
> Trata dos princípios da fé cristã: Deus, o mundo, o homem, a revelação.
- Contra Celsum
> Ao se dirigir aos que são fiéis ele assume o que Gilson chama de aristocratismo espiritual (Gilson, pg 51), pois embora todos aceitem a palavra de Cristo, nem sempre há acordo quanto ao sentido, Gilson coloca como exemplo uma citação de Orígenes em Contra Celsum onde ele faz uma distinção entre os fiéis baseada em São Paulo:
1 – cristãos mais perfeitos ainda; os que possuem o carisma da “sabedoria” divina (sentido espiritual), esses por contemplação superior (theôria) já discernem na própria lei divina a sombra da beatitude vindora.
2 – cristãos mais perfeitos; os que tem “conhecimento”,”gnose” (sentido alegórico)
3 – Simples fiéis; os que tem “fé” (sentido histórico).
> Assim como o homem se compõem de corpo, alma e espírito, a Igreja possui então estes três tipos de fiéis, respectivamente simples fiéis, cristãos mais perfeitos, cristãos mais perfeitos ainda.
- Para Orígenes Deus é simples, inefável e perfeito. Sua natureza é imutável e imaterial. Por superar o que é da ordem da matéria e do espírito, não podemos nos representar o que ele é (estamos limitados no corpo).
- A questão da unidade divina (Pai, verbo, Espírito Santo) é aceita por Orígenes, o problema se volta para as relações onde ele vê a subordinação Verbo (por exemplo na criação) e Espírito Santo ao Pai.
(“… Deus sempre foi Pai, e sempre teve o Filho unigênito, que, conforme tudo o que expusemos acima, é chamado também de sabedoria (…) nesta sabedoria que sempre estava com o Pai, estava sempre contida, preordenada sob a forma de idéias, a criação, de modo que não houve momento em que a idéia daquilo que teria sido criado não estivesse na sabedoria…”3)
> O filho, Cristo, é o próprio Verbo que adentra a carne sem se corromper.
- Deus cria o mundo do nada, mas ao mesmo tempo não poderia ter ficado ocioso então o mundo é desde sempre, eternamente produzido (a descrição do gênesis é literal e só vale para o nosso mundo, houveram outros antes e haverão outros depois deste). A eternidade no tempo se contrapõe a uma limitação no espaço, pois a criação divina é feita em números e medidas definidas.
- O mundo é uma manifestação do Verbo, este por conhecer tudo o que é o Pai tem conhecimento para criar outros verbos. Essas são livres tanto para se apegar com mais ou menos força, é dessa liberdade que temos a história do mundo.
- Para Orígenes, é desses graus de fidelidade, que foi escolhido livremente, que temos as hierarquias dos espíritos que povoam o universo. O homem encontra-se aprisionado no corpo (como em Platão), devido sua escolha mas com esforço podem recuperar sua condição primitiva (de puros espíritos). Ele encontra na palavra psykhé a raiz que significa frio psykhon, assim a alma seria um espírito resfriado, e o esforço seria para encontrar a luz e calor primitivos.
- Talvez Orígenes tenha defendido a passagem de um corpo humano ao corpo animal(como na metempsicose), mas não existe texto para confirmar tal tese.
- Quanto a origem da alma, ele deixa em aberto duas opções: transmissão pelos pais ou introdução do exterior.
> Ao deixar em aberto ele assume que existem assuntos incertos que se opõe as verdades universais.
- A imaterialidade da alma é certa pelo fato dela ser capaz do conhecimento intelectual, que é imaterial. É pela dialética, do conhecimento das coisas sensíveis ao conhecimento das coisas intelectuais e morais que a alma se eleva.
- O livre-arbítrio que foi a causa da queda também é a ferramenta de reabilitação do homem. Os seres animados oposto aos inanimados como a pedra, possuem o principio de crescimento em si, o homem se distingue dos animais por possuir a razão capaz de criticas as imagens e sensações. O homem é ele mesmo a causa da decisão.
- Desta forma, a liberdade que foi ocasião do mal, é também condição para o bem. A alma em queda no corpo, não perdeu toda a lembrança, por isso ela possui aptidão para preferir o bem, que é a raiz da reabilitação. A alma sendo imagem e semelhança de Deus pode conhecê-lo conhecendo a si mesma. Pela purificação e pela ascese ela recupera a parte da semelhança divina perdida.
- Cristo é a única alma que desceu semelhante ao divino ao corpo (a alma de Cristo é o verbo encarnado), ele coloca sua alma em resgate para redimir do Demônio os direitos que este possui sobre o homem em consequência do pecado. Esse sacrifício é uma graça necessária para a reabilitação, mas é necessária a escolha do homem. Cristo não salva apenas os homens, mas os homens e de certa forma o universo inteiro.
- Gilson comenta que a diferença entre a cosmogonia gnóstica e a de Orígenes é a postura mais otimista (não há a figura do demiurgo inferior e da matéria ruim). Em Orígenes a matéria pode ser um lugar ruim para o espírito se reabilitar, mas é nela também que se apóia o processo da ascese. Em Orígenes, Deus limita o mal pela destruição em um dilúvio ou de água ou fogo; e então voltando a serem espíritos puros os justos se tornam anjos e os maus decaem ao nível dos demônios. Tudo fica submetido a Cristo e por ele, Deus seu Pai, restabele-se a ordem primitiva. E assim Deus cria mundos cujos destinos dependem das decisões das criaturas.
- Segundo Gilson, é dado a entender nos textos de Orígenes que os seres criados habitam, com permanecias variáveis esses sucessivos mundos criados, ou seja retornem em outros corpos de acordo com seu nível hierárquico. Assim o trabalho de Cristo também recomeça, sem nunca acabar nos sucessíveis mundos. Aqui Orígenes também deixa em aberto duas possibilidades: a de uma evolução gradual a cada mundo criado até a eliminação do mal (a que mais o agrada), ou se é possível crer que restarão demônios e danados por toda eternidade.
- Gilson nos fala que estes são apenas alguns pontos da vasta doutrina de Orígenes, e que representa a versão Cristã de uma concepção de universo que pode ser encontrada, por exemplo, nas Enéadas de Plotino. Ele nos conta que esse influente padre também foi controverso por suas teses audaciosas, Teófilo de Alexandria teria reunido um concílio onde foi condenada sua obra. Por outro lado teve entusiastas que retificaram e souberam admirar sua obra.

Bibliografia

GILSON, Étienne. A Filosofia na idade média. Trad. Eduardo Brandão. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 949 p. (Col. Paidéia).

Outras obras consultadas:

1 Verbete: Orígenes. PUC. Disponível em: . Acesso em: 24 fev. 2009.
2 NUNES, Ruy Afonso da Costa. História da educação na antiguidade cristã. Texas: Pedagógica e Universitária, 1978. Disponível parcialmente em: . Acesso em: 24 fev. 2009. pg. 123. [apenas consultei se a frase citada constava no livro]
3 Orígenes. Os princípios, livro I, 4, 4-5. Disponível em: . Acesso em: 24 fev. 2009.

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